Vitamina D e patologias autoimunes

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O que é a vitamina D?

A vitamina D é comummente conhecida como a vitamina do sol. No entanto, esta é na realidade uma hormona lipossolúvel, e as suas funções não passam apenas pela manutenção da saúde óssea. Segundo estudos recentes o défice deste composto parece estar associado a um risco superior de contrair infeções oportunistas, de desenvolver doenças cardiovasculares, oncológicas e autoimunes, sendo que os valores analíticos devem estar acima de 30 mmol/L.

Em Portugal, segundo um estudo realizado pelo Instituto de Ciências Biomédicas Abel Salazar (ICBAS), 78 % da população apresentou níveis insuficientes de vitamina D, o que significa que a maioria da população portuguesa pode ter o sistema imunitário comprometido.
Está comprovado que existem recetores de vitamina D em células essenciais do sistema imunitário, como é o caso das células T, β e monócitos. Assim, nos últimos anos foi levantada a hipótese: será que a manutenção dos valores de vitamina D podem influenciar o aparecimento de doenças autoimunes e diminuir a sintomatologia das mesmas aquando instaladas?

Foram realizados estudos, nos quais foi possível associar um efeito benéfico da suplementação de vitamina D na função imune, incluindo no aparecimento e sintomatologia das doenças autoimunes.

As doenças autoimunes são caracterizadas por uma falha no correto funcionamento do sistema imunitário, fazendo com que o mesmo reaja produzindo células imunológicas que atacam determinadas células do organismo como se fossem “corpos estranhos”. A causa para o desenvolvimento destas patologias é uma combinação de fatores genéticos, estilo de vida e fatores ambientais, entre os quais a disponibilidade de vitamina D.

Estudos recentes apontam o défice de vitamina D como um dos potenciais fatores de risco para uma manifestação mais acelerada de lúpus, diabetes mellitus tipo I, esclerose múltipla, artrite reumatoide e síndrome do intestino irritável. Assim sendo, garantir um correto valor deste micronutriente é essencial. O mesmo é garantido com principalmente exposição solar, mas também através da alimentação ou suplementação (ex: em casos de défices acentuados ou impossibilidade de estar ao ar livre durante o dia).

Extra ao tempo de exposição solar, existem outros fatores de risco para o desenvolvimento de défice de vitamina D a ter em consideração como: excesso de peso, pele mais escura (maior produção de melanina maior absorção de radiação UV, prejudicando a produção da vitamina em questão), idade avançada (idosos tendem a passar mais tempo em espaços fechados, devido às dificuldades de locomoção) e a toma de certos tipos de medicação (ex: corticoides).

Desta forma pessoas que se incluam nos casos mencionados anteriormente, para além da exposição solar mais prolongada (aproveitando os períodos da manhã e final de tarde), devem ter em atenção o consumo de alimentos com vitamina D. Embora a quantidade deste micronutriente seja reduzida nos alimentos, o consumo dos mesmos pode ter um impacto positivo. Alimentos como por exemplo: vísceras (ex: fígado), peixes gordos, ovo, cogumelos, cereais fortificados e levedura nutricional.

Em suma valores ótimos de vitamina D tem um impacto inquestionável na saúde em geral, os valores baixos desta vitamina comprometem o correto funcionamento do sistema imune, desregulando o mesmo, tendo impacto nas células T, β, monócitos e enzimas dependentes da vitamina D. Embora sejam necessários mais estudos para saber a extensão do impacto a nível do aparecimento e sintomatologia de certas patologias autoimunes, parece ser inegável o efeito positivo deste micronutriente.

Assim sendo, indivíduos com maior risco de desenvolver este défice assim como pessoas com este tipo de patologia, devem ter em especial atenção os valores de vitamina D. Garantindo uma boa exposição solar assim como um padrão alimentar saudável que contenha os alimentos mencionados acima. Se tal não for possível é aconselhada a suplementação deste micronutriente pelo menos durante os meses de inverno.

Dra. Carolina Alves

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